quinta-feira, 9 de junho de 2016

Por que as crianças não sabem brincar?

Quantas vezes, nós professores, nos deparamos com uma criança que aos 6 anos não consegue parar para brincar, não sabe brincar? 

Muito me questionei sobre isso, até me conformei com a resposta de que meus alunos não tinha acesso a brinquedos. 

Em um ano, desenvolvi um projeto com o Livro: Um saco de brinquedo, do Autor, Carlos Urbim, tendo como principal objetivo, de criar brinquedos, mostrar possibilidades de como brincar com sucatas. Lembro do vislumbre de muitos alunos quando descobriram que com rolinho de papel higiênico era possível brincar.

Ao ler o texto "As Concepções do Brincar na Psicologia" entendo o porque as crianças se apegam a um ursinho de pelúcia, ou ao bico, ou a mamadeira, ou até a uma fraldinha (o famoso cheirinho), esses objetos são chamados de objetos transicionais, auxiliam a criança a superar a ausência da mãe, a superar pequenas frustrações.

Quando a criança não consegue estabelecer essas relações, segundo os autores do texto:

"A adoção de um objeto transicional contudo, só poderá ocorrer se existir um objeto interno bom (introjeção de  um mãe boa). Se na fase de separação a mãe se afasta e não volta enquanto sua lembrança pode ser garantida, como nos casos de morte ou abandono, sem que haja uma figura substituta de referência para a criança, esta lembrança, se esmaece e o objeto transicional perde o seu sentido. O bebê nesse caso, vive uma experiência de descontinuidade, de ruptura. Não dispõe mais de uma mãe fidedigna que inspira confiança, nem de um espaço potencial. Nesse caso "então não existirá área em que possa brincar ou ter experiência cultural. A criança privada é notoriamente inquieta e incapaz de brincar apresentando um empobrecimento da capacidade de experiência no campo cultural."
O fato das crianças não saberem brincar  está diretamente ligado ao vínculo criado com a mamãe nos primeiros meses de vida. E como eu trabalho em uma realidade em que as crianças não são desejadas, muito menos planejadas, criar o vínculo é muito mais complicado. Por quantas horas essas crianças ficaram chorando, ou esperando para a fralda ser trocada? A mãe simplesmente saia de depois de muito tempo retornava.

Como é importante conversar com os alunos adolescentes sobre isso, até para prepará-los para o seu futuro.

Sonho com um mundo onde mais crianças saibam brincar!





Um comentário:

  1. Oi Marcia,
    suas reflexões sobre o brincar são pertinentes, que bom que conseguiu desenvolver um projeto que contribuiu para mostrar as crianças diversas possibilidades de brinquedos. Continue relatando suas experiencias.
    Abraços
    Maria Rosane

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