Ciência sem fronteiras
Esses dias, no carro, a Anita estava meio cabisbaixa. "Não vou poder ser cientista, como eu tinha planejado", ela me disse. Eu perguntei o motivo. Ela disse que, depois de um começo de fantásticas aulas na disciplina de ciências, os assuntos tinham ido pra um lado que ela não tinha o menor interesse. "Não gosto mais de ciências. Não posso mais ser cientista", falou chorando.
De todas as frustrações que tenho no mundo, a maior delas é com relação à educação das minhas filhas. Minhas filhas, de dez e três anos, estudam da mesma forma que eu estudei, que foi a mesma forma que a minha mãe estudou: com um quadro negro e apostilas. Na era do videogame, do iPad e do smartphone, minhas filhas estudam copiando lições, decorando frases prontas, escrevendo em folhas de papel.
A escola simplesmente não conseguiu acompanhar o mundo. Hoje temos um poço de conhecimento infinito - a internet - e minhas filhas podem aprender sobre o que quiserem, a hora que quiserem. A mais velha aprende japonês em um aplicativo. A mais nova aprendeu a contar em inglês com um desenho do Netflix. A mais velha entendeu parábolas matemáticas com um vídeo no Youtube. A mais nova aprendeu a escrever seu próprio nome no bloco de notas do computador. E nenhuma dessas coisa aconteceu na escola.
A internet permite que minhas filhas estudem qualquer matéria. Não existe mais lógica em uma educação segmentada em matérias, descolada da vida real. Não existe mais lógica em divisão por séries, por idade. Se minha filha de 10 anos quiser estudar as matérias do terceiro ano, qual o problema? O que a impede?
Não a toa, escolas europeias experimentam uma educação mais integrada, que explica os acontecimentos ensinando história, geografia e matemática, tudo misturado. Crianças não são divididas pela idade, mas pelos interesses e dificuldades de aprendizado. Mais tecnologia na sala de aula. Mais educação à distância. Mais informações dentro do celular dos jovens. É ali que eles passam a maior parte do tempo.
Não é a escola que ficou chata: o mundo é que ficou incrível. Vai por mim, filha. Você pode ser o que você quiser.
Esse texto foi escrito pelo PIANGERS, vale a pena conferir.